PROJETO COLETIVO ITINERANTE ARTE E VIVÊNCIA – A ÁRVORE DE TODOS OS SABERES

Campanha coletiva para levar artistas indígenas a expor na ONU

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A expectativa de levar ao conhecimento mundial a existência de um complexo e próspero processo artístico criativo e em criação, portanto inovador, entre os indígenas, é um dos principais motivos que sustentam a argumentação do projeto coletivo ARTE E VIVÊNCIA – A ÁRVORE DE TODOS OS SABERES.

A novidade pode não estar na arte, se precede falta de argumentos, mas está, sem dúvida, nos indígenas, na cosmovisão peculiar que lhe confere o destaque a esta mesma arte, por eles produzida. Dessa forma a arte para o indígena é o saber e o saber para o indígena é de todos, é do povo de onde ele se origina.

Não alheios a rótulos e a comparações, vistos sob o ângulo da natureza comum, talvez o sistema não permita aos artistas indígenas falarem por si mesmos sobre suas produções, dissociando-os do tempo necessário para fluir a transcendência que as obras de arte por eles materializadas trazem da aparente inconsciência, o que logo chamar-se-iam abstração.

A abstração neste caso pode ser o óbvio, em um cruzamento de valores tão díspares. Há uma base para sustentar novos argumentos? Sim, há o homem originário, o ser material que registra as expressões inanimadas, aparentemente inexistentes, sem plataformas, o fluir da existência humana na coexistência com os demais seres, sem sobreposição ou supravalorização deste primeiro aos outros onde é terreno até o que não é terra, o inconcebível para o alheio, o externo.

Embora a arte como linguagem esteja à dianteira das manifestações culturais, políticas e ideológicas dos mais distintos povos, em lugares aparentemente sem conexão possível, desde tempos imemoriais, é comum o fazer artístico. Contudo, a arte como conceito, e daí delimitam-se categorizações, usos e aplicações, entre os povos ameríndios é sem qualquer dúvida, um fenômeno, nestes termos, recente.

Há uma novidade a mais, no universo, já bastante plural das artes, a arte indígena, ou a arte produzida por indivíduos de comunidades originárias. Culturas originárias na ocupação de espaços físicos geográficos e ocupação de sentidos próprios para necessidades existenciais, ou a ligação estabelecida, aprimorada e mantida com o plano espiritual.

O protagonismo é do indígena, frente a construção desse novo cenário, ou a tomada de consciência destes indígenas artistas em relação aos seus posicionamentos ante as possibilidades que o seguimento artístico, em franco diálogo com o todo, pode proporcionar, carregando um conjunto de respostas para perguntas ainda não pronunciadas.

A maneira mais original de fazer arte indígena é fazendo com a vivência. O indígena, na prática de suas habilidades, aprimoradas a cada geração, irrompe na arte contemporânea como se este se lançasse à uma floresta aparentemente desconhecida, portanto, talvez perigosa.

Para além das complexidades interativas ou interpretativas entre arte e artista, do ponto do espectro ocidental, arte e índio no romper desse horizonte, podem ser produção e produtor, uma relação que se forma na completude de um para com o outro circundado no todo. A diferença está essencialmente no reconhecer-se como tal, um dialogador entre dois tempos, estando cercado de possibilidades narráveis e ilustráveis dos planos espirituais compartilháveis e acessíveis, na linha do tempo tanto quanto se buscar.

As angústias da incompreensão são amainadas pelo embalo do artista indígena na teia da ancestralidade e o calor da vivência produz a energia que o humano precisa para despertar habilidades a eles conferidas e o deixa em transe diante da descoberta que a arte entre os índios nada mais é que uma forma de diálogo iniciado em tempos remotos, mas fielmente vivo na memória coletiva tem como instrumento o individuo artista. Este diálogo lança-se corpóreo na arte indígena, num plano ainda mais minado de armadilhas, feições e artimanhas que chegam com a nova economia e o novo sentido de valor e tempo, onde novamente o indígena fascina com a habilidade de manter-se nutrido.

Jaider Esbell Makuxi – RR/Brasil

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