Miração

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(Peça de teatro escrita por Rafael Fares, inspirada na Exposição MIRA!)

Miração

 

(A dramaturgia do texto Miração é composta por uma tríade: Paisagem, Pensamento e Mirante. Estas figuras-lugares serão diferenciadas pelas fontes: itálica, regular e negrito. No decorrer da narrativa, as nomeações destas figuras-lugares vão desaparecendo)

 

I – O CIPÓ 

 

Paisagem ( diz da varanda, no microfone )

 

Estamos no ocaso. É um campo de futebol com as traves enferrujadas, uma pequena plantação de bananeiras, um resto da mata atlântica e uma casa ao fundo. Na cerca que  delimita o campo, há uma caneta. Sons da cidade e da memória. Paisagem, Pensamento e Mirante estão sentados em roda. A paisagem serve o chá.

Pensamento

( Rindo Nervoso )

Eu estava ali, pois tinha decidido tomar o chá. Eu já havia tomado outras vezes ayahuasca e sabia de suas forças. Naquela noite, tomei a bebida com orientação de Paulo. Alguns amigos disseram que ele era uma pessoa boa e não tinha uma doutrina a ser seguida.

( Pensamento caminha pelo espaço )

 

Paisagem ( do alto, como se descrevesse alguém da platéia )

 

Na casa, próxima do campo, um homem despojado, cabelos longos e brancos, fruto da geração dos anos setenta, com a simplicidade de um sertanejo.

 

FADE IN AUDIO MÚSICA `INTRO`

Paisagem ( informando )

Sua comunidade tem influências dos povos amazônicos, mas sua condução é bem livre. A música é uma constante em toda a sessão. Quem toma o chá não precisa seguir nenhum roteiro.

 

Mirante  ( sentada no chão )

 

Sou só eu e meu corpo nesta roda. O sábio nos traz o chá.  Ele serve, eu bebo. Ele fala, eu escuto. (Silêncio) Sinto reações em meu corpo!

Pensamento ( se afasta calmamente )

Eu já sabia que estava vindo o efeito, então, eu decidi me distanciar do grupo. Passei por uma cerca de arame e dependurei minha caneta na cerca.

(um barbante preso no teto segura a caneta no espaço)

Paisagem

 

O mirante anda pelo velho campo, brinca com seu corpo numa dança estranha, joga com o equilíbrio, entorta, é o início da digestão do mariri chacrona. Ele ri um pouco nervoso. Os sons da paisagem começam a se distorcer. Ele se espreguiça aproveitando a trave. Depois senta no centro do gol, languido.

 

Pensamento

Quantos não foram os jogos jogados neste campo. Quantas não foram as pessoas que aqui estiveram e por vontade de estarem juntas, dentro das regras das quatro linhas, guerrearam e se divertiram. Só nesse campo de futebol são várias as histórias.

 

Mirante ( se lança para o chão. )

 

Sinto algo em minhas veias. Eu já começo a ficar sob o efeitiço. É a experiência a matéria de tudo. 

 

Paisagem

 

Você já sentiu que ia perder-se em seu movimento?

 

Pensamento

Ah! A força do texto dos Beatniks que se lançaram as mais desmedidas experiências e vieram até a América do Sul para tomar este chá. Escrever, para eles e pra mim é tradução. Ah! Amo quando Rimbaud, Oswald, Gilberto Gil, Caetano, Torquato neto e Waly Sailormoon fazem música e poemas com suas experiências. Mesclam suas escritas com suas vidas.

Mirante (num tom recitativo)

 

Vem cipó, retira de mim o tédio, me coloca em contato com a vida pulsante, e ponha novamente no meu caminho

 

Pensamento

Várias são as formas de sermos arrebatados por momentos como esse que passei – pulsantes de intensidade.

Paisagem 

 

O mirante esfrega a mão no gramado. E passa a se arrastar no chão. Não há limite entre ele e a grama. De repente sofre ânsias de vômitos, se debate com seu próprio corpo. Ele é tomado por uma turbulência da bebida em seu estômago. Respira forte diversas vezes, volta a pensar e a substância volta a lhe arrebatar. Respira novamente e se ajoelha com certa calma como se soubesse que viveria aquilo. Começou.

INTERFERENCIAS SONORAS

 

FIM DA CENA I.

II – PSICOTRYA VIRIDIS

Pensamento

Nuh! Perdi quase tudo o que bebi. Não foi possível segurar. Será que os outros viram? Nossa senhora… É muito forte. Esse chá é muito forte. Mais forte do que todos os outros.


Mirante

A bebida está se enraizando em mim. A terra pulsa, borbulha comigo. O que saiu de mim me desfez, desfazendo a minha fronteira com o mundo.

Paisagem ( desce da varanda )

 

Ele vê seu vomito vermelho, encosta assustado naquilo que é chá e sangue. Nem por isso se sente mais fraco. Trata-se de uma troca sanguínea com a terra.

Pensamento ( andando em círculo )

Eu estava sofrendo uma transformação! A minha soberba em relação ao meu autocontrole se esvai. Eu nunca tinha sentido as coisas assim… O meu tato não é mais o mesmo. Posso sentir novas formas. É a ayahuasca, uma substância fora de mim.

Mirante

Me sinto enraizando. Eu como todas as outras árvores. Ah, a umidade do solo.

 

Paisagem

 

Ele procura com os pés o chão frio, acompanha as árvores em suas posições naturais.

 

( ainda em círculo)

Haux, Ibã estou aqui com o cipó, lembrei de você. Se não fosse os Kaxinawá, será que eu teria conhecido isso? O mundo encantado, não é? Um lugar de imagens entre a morte, a imaginação e o sonho, o mais vivo: a Miração.

A paisagem sonora se intensifica e o mirante em pé fixa o olhar num ponto. É a chegada de um grupo de luzes. Cada uma delas emana de um ponto mais intenso e segue até quase o chão, num enfraquecimento gradativo. São feixes apontados para baixo.

 

EFEITO  DE PIROTECNIA DA ILUMINAÇÃO COM SONOPLASTIA

( os atuantes param de frente para a platéia, estão todos no mesmo plano )

 

FADE IN AUDIO MÚSICA ‘MIRAÇÃO’

 

 

 

Eu estou vendo luzes. Luzes!

Eu não acreditava que via luzes.

Elas tem uma forma. São seres.

Serão espíritos? Será que é isso o mundo invisível que os indígenas tanto falam?

Ei vocês… ei vocês!!!

( Paisagem aproxima um vaso de plantas do público )

Eles se afastam com medo. As luzes fazem movimentos irregulares perto de uma árvore.

 

Devem ser pessoas com lanternas… Ei vocês… Quem está aí?

Não. Eram luzes mesmo. Não havia ninguém por perto.

 

Puta que pariu! Eu estou vendo a passagem para o outro lado, o mundo encantado. É a química atuando sobre minha percepção.

Não é nada. Não é nada. Isso não deve ser nada.

Virando o rosto para outro lado. Sente um medo profundo. Tem uma percepção e nos conta: (os três atuantes juntos)

Por que não ser místico?

Se a vida é um mistério

Se depois da morte tudo será

Deus é um buraco no peito do sujeito

E o amor é força que leva, muito antes de Adão e Eva

E ninguém sabe por onde, para onde e como saciá-lo.

 

Um riso nervoso eclode.

Eu que sou completamente materialista tive a alegria de ver o que estava vendo: a beleza! Que bonito chamar algo que você não sabe o que é de beleza. Não cabia dentro de toda a concepção que eu tinha, quer dizer tenho. Um delírio.

De lírio. Da lira, da poesia lírica, do poema que é qualquer concepção de gênese, qualquer mito de criação do homem e do que vem a ser os mundos.

O importante é que haja uma comunidade que suporte o delírio. Mas a partir daquele momento mudava tudo o que sempre chamei de real.

 O invisível se mostrou para além da matéria.

Foi um momento de virada, eu era altamente racionalgregoeurologos…

O mirante deita-se em estado de vigília. Silêncio (Pausa). Há somente uma luz fraca que o acompanha. As imagens surgem cinematograficamente e contracenam com o Mirante. Nelas o avô veste roupa de exército, assim como vários outros numa grande concentração, onde todos militarmente jogam capoeira.( Pensamento e paisagem dançam capoeira ) Zum zum zum zum zum zum capoeira mata um.

, o senhor está jogando capoeira? Por que? Vô, o senhor vai para a guerra? Por que esse uniforme, não vá , essa guerra é uma tolice. Não vô, eles não vão te levar. Gosto de saber que o senhor pratica capoeira, mas guerra não. Por que todos estão gingando juntos? O Brasil treinou seus combatentes com a capoeira?

 

Incrível, vejo meu vô. Era verdade o que ele dizia. A materialização de um delírio, e por que era meu avô, com tanto afeto ancestral, que descobri ali minha linhagem. Independente da minha vontade eu tinha uma herança. E o mistério da vida e da minha percepção se revela no passado.

Eu era neto, avô, bisavó, tataravó.

 

Ele se sente envolto numa placenta.

O filho perguntou pro pai:
“Onde é que tá o meu avô
O meu avô, onde é que tá?”                                                                                               O pai perguntou pro avô:
“Onde é que tá meu bisavô
Meu bisavô, onde é que tá?”                                                                                                 Avô perguntou bisavô:
“Onde é que tá tataravô
Tataravô, onde é que tá?”                                                                                              Tataravô, bisavô, avô
Pai Xangô, Aganju

Viva egum, babá Alapalá!                                                                                                Aganju, Xangô
Alapalá, Alapalá, Alapalá
Xangô, Aganju

 

Não cabia mais em meu ser, as concepções que minhas leituras filosóficas faziam com que eu entendesse a existência, num instante tudo estava por água abaixo. Eu estava sendo tragado

O mirante recebe uma borrifada de água na cara. É o guia de sua viagem. Ele já quase se perdia no encantado. Era preciso que ele voltasse. O mirante rindo se levanta do chão. Voltam as luzes.

 

FIM DA CENA II.

III – INSIGTH

 

 

Eu vejo! Eu vejo e isso é fato. Há um mundo invisível que nos circunda. E ele é concreto. Não se trata de espíritos sem corpos. Tudo é muito mais do que nossos limites podem nos deixar ver.

 

Cai o véu de maia. Os olhos humanos suportarão a clarividência?

 

Não sei como vou contar isso, ninguém vai acreditar. A verdade tem suas regras para que possamos nos comunicar. Se eu agora vejo, e ninguém vê comigo, quem acreditará em mim? Serei só mais um louco.

E agora…

 

Para que busquei tal visão? Achei que tudo estava visto.

As luzes não me dizem de onde vem. Conversemos?

 

E agora como voltarei para meu povo? O que farei com isso?

 

Um lunático? Um sábio? Um alucinado?

 

Terei eu possibilidades de percepção mais apuradas, de maneira que os outros não têm?

O mirante se aproxima da luz e imita seu movimento. Aos poucos, eles produzem movimentos sincronizados. As luzes o conduzem na direção de uma bananeira. Ao aproximar-se o mirante vê um morcego. Eles se olham olhos nos olhos por alguns instantes.

(Atuantes comem banana)

Você vem para cantar

Eu pensei que você vinha

Você vem para cantar

Eu pensei que você vinha

Ou você não vai

Ficar em pé parado

E cantar alto

Ou você não vai

Ficar em pé parado

E cantar alto

 

Como surgiram as culturas? Haveriam visões como esta no início? Os Maxakalis desenvolverem tantos rituais? Cada bicho, cada planta, cada objeto que carrega afeto para o povo Maxakali é espírito, e é um corpo.

Um mundo novo acaba de se abrir.

Naquele dia eu deixei de cogitar e aceitei.

 

É alguma mensagem.

 

Dava-se início a um estilo, uma profecia, uma cultura. Ah… Quanta pretensão…

 

O cipó, a sinuosidade da cobra. O medo animal do humano. A cobra conta a história. Na pele dela estão os desenhos da arte  humana. O humano bebe o cipó, sinuosidade da cobra.

 

De repente a noite ganha uma aureola de luz. As árvores ganham a cena. A lua está lá e as estrelas despontam no céu. Ele olha surpreso mais uma vez, no entanto, o céu é indiferente as suas dores e alegrias.

 

Posso ver todas as constelações dos doze signos. As constelações num único céu, de uma vez só. Nunca foi possível ver todas as constelações assim. Ah… Quanta pretensão…

 

Os antigos viviam completamente o céu. Sabiam guiar-se pelas estrelas. Foi preciso uma observação prolongada para se entender passo a passo os meses, os anos, os signos. Quantas civilizações a lua não viu desaparecem?

 

O zodíaco. Todos os signos na circunferência da abóboda celeste. As cartas. O tarô. O Leão egípcio, na cabeça, deus do sol, o touro, a virgem, a libra, o sagitário. A mitologia grega. Pegasus. A Astronomia. Os deuses indianos. Krishna que se metamorfoseia em Cristo, que é a tradução de Oxalá. Visões de um menino debaixo da árvore tendo a iluminação: Buda. De dentro dele sai como num zoom o Brasão do Clube Atlético Mineiro. 

 

Tudo que ele fala pode ser visto em imagem. E a imaginação do sonho toma sua percepção num ressalto. A luz das coisas pode mudar, a composição da cena pode mudar, toda visão é uma colagem.

 

Todos temos nossos ancestrais. Todos os deuses, todos os Pais, todos os nomes e signos.

Os meus antepassados deixaram diversos traços meus que eu nem tenho consciência. Mas inconsciente que sou, de repente, tenho toda a história da humanidade condensada em mim.

Mirante

 

Tudo está condensado aqui como num fractal. É como um furo no tempo, um buraco negro, um sonho que implode o próprio tempo.

 

Ele contorna as traves formando o símbolo do infinito. E corre para dentro da mata.

 

O fluxo da vida transcorre independente de nós, as possibilidades são estonteantes e por desvio se tornam plataforma para outro deus, outro pai, outro nome, outra traço. Várias variáveis invariavelmente. Deglutições antropofágicas. Uma velha negra na África e suas migrações e suas transformações pelo mundo, para cada caminho e para cada paisagem, uma experiência e seus Deuses; tantas divindades quantos forem os delírios e suas forças para seduzir, cooptar e permanecer criando transcendências.

 

 Pulsa em todos os seres o mesmo mistério. Wally Salomão nos grita que A vida é sonho. A vida é sonho. A vida é sonho. A vida é sonho.

De repente, eu tinha um insight depois do outro. A vida é um sonho, o mundo uma miragem.

Ele volta e cai se contorcendo, num êxtase. E uma profusão de imagens de artistas e magos de nossa cultura se montam no cinema consolador da cachola. Jim Morrison canta e dança com o olhar vidrado, os Beatles meditam na índia. Gilberto Gil na justiça e seus retiros espirituais. Roberto Piva toma chá de cogumelo.

Visões, visionárias, viagens lisérgicas, antepassados indígenas numa praia da Califórnia. Lucy in the Sky with Diamonds. O insight dos dedos de Jimi Hendrix e sua lisérgica experiência. As vivencias de Carlos Castanheda. Rimbaud e suas visões de absinto. As profecias de William Blake. O Aleph de Borges. Miguel Capobianco Livorno. O dia 23, epifania para os amigos…

O dia 23, 23, 23.

The songs remain the same. O rito, o mito, o ritmo. Nada será como antes.

IV – AFETOS

Meus amigos…minha comum idade.

 

(Todos fumam)

Naquele momento, eu pude sentir que estava com os amigos. Eu tinha o poder de estar um instante em suas vidas, em seus corpos, incorporação. O afeto me concentrava em quem ele queria.

 

As luzes cessam, ele para, pensa, é tomado por impressões fortes, cada amigo lhe projeta um corpo e um estado de espirito.

 

(todo o cenário parece distorcer-se em sombras moventes)

 

Marcelo

 

Sinto paz em estar nele.

 

Plaina como ave entre a vida e a morte. Teve pais muitos bons. A imagem de serenidade da mãe se despedindo é o que acalma tudo. Decorre-se na música.

 

Ah, que destreza sinto nos dedos. Como é bom solar uma guitarra assim, que poder.

Tem tanto carinho pelos outros que isso aumenta seu talento.

 

Júlio

Angústia.

 

Quer muito, idealiza, tanto que às vezes não sabe o quê.

A Pantera negra caminha certeira dentro da floresta. Sua capacidade intuitiva como a que estou tento agora é gigante e é capaz de se angustiar por saber o porquê do outro.

Como me falta tranquilidade. Não tenho tempo a perder. Alguns seres são menosprezáveis. 

Enquanto alguém fala, sua inteligência já captou o subentendido e quer dar a resposta.

Para ele tudo é muito.

Roberto

Mal-estar. Revolta.

 

A vaca rumina seu destino no mesmo pasto. Algo com ele não está resolvido. As relações com seus pais não são tão boas. Estar em casa é estar reprimido. Ao mesmo tempo há uma inércia.

Não consigo deixar a casa dos meus pais.  

Uma repressão velada de muito carinho torna as coisas mais difíceis.

Alice…

 

Afeto. Amor distante.

 

A cobra tem a sinuosidade do cipó. Capaz de fazer formulações incríveis. É impulsiva, mas no fundo tem medo. Tem o desejo tão grande por todos que… Vê as pessoas de longe, um olhar oblíquo.

 

No fundo, uma dispersão: querer tudo sem se ligar a nada.

Não dá para descrever agora o que acontecia naquela paisagem. Ele ali, com corpo desajeitado, mas completamente conectado com o que tinha de mais afeto.

E minha mãe.

 

A grande sabedoria do amor incondicional. O amor de uma mãe para um filho.

Eu carinhosamente agradeço minha mãe que me ensinou o mais radical amor de todos. Ela aparece em minhas impressões sempre com o olhar da mais sábia ternura.

Ternura da consciência que até o menor olhar deve demonstrar o que se deseja transmitir.

Havia ali um poder na capacidade de concentrar e meditar. Uma inteligência anormal de fazer conexões, numa catarse visionária.

Essa capacidade me dava, se eu tivesse calma e decantasse o que eu sentia, uma maneira mais adequada de lidar com cada um. Eu poderia indicar caminhos que muitas vezes eles próprios não percebem.

Às vezes basta a gente fazer a pergunta: é isso mesmo que você quer?

Romper a barreira e ver a perspectiva do outro.

 

Eu desejo o que eles desejam, eu podia pensar com eles por dentro.

 

O que serão esses poderes? Mediunidade? Estou ficando louco?

 

O que farei se a partir de agora eu puder sempre ler as impressões de quem eu gosto? É um chamado? Serei agora obrigado a ter que me ater ao outro.

 

O saber que tanto buscamos, vem numa grande torrente e nos dando mais do que é tragável, transborda, fica over, retira a graça. O mistério a se desvelar sempre, pouco a pouco, a indicação do oráculo, que não dizendo tudo, deixa o algo mais para o futuro.

 

Eu sabia que em algumas comunidades indígenas a formação de um pajé, muitas vezes, está ligada a capacidade de viver continuamente esses momentos de pressão. Eu vislumbrava um poder. Mas me angustiava bastante a dissolução de mim e a responsabilidade pelos outros.

 

O mirante chora tampando os olhos. Ele se pensa como um padre, que conta pata os seus seguidores suas experiências com Deus. Um pastor, capaz de dizer para corações angustiados sedutoras maneiras de clarear a alma, entendendo onde reside a angustia. Um pajé que continuamente segura a pressão controlando seus sonhos, dedicando-se as histórias e os caminhos de seu povo.

Ah loucura,

coloquei meu rosto em tua superfície calma

e vi o outro lado de profundezas abissais.

Lá está um turbilhão de imagens proliferando

a cada instante sem quê nem porquê.

Graças a deus, pude retirar meu rosto de tuas águas.

E ficar com o delírio que tu guardas.

A sanidade é uma dádiva.

 

A sanidade é uma dádiva, eu não quero me responsabilizar pelos outros. Quantas angústias, quantos dilemas e quanta frustração não há nos corações humanos. Eu não quero saber de tudo. A loucura não é a privação, é ver tudo.

Não queria nada disso. Parece que tendo todo o sentido, perderei o sentido, a direção do amanhã, e não terei por que acordar.

 

FADE IN AUDIO MÚSICA ‘DECLÍNIO DA MIRAÇÃO’

 

A velocidade que os insights e as associações se faziam em mim. A irresponsabilidade dos Beatnik me dizia que tudo deveria se tornar escrita. Por no fluxo da escrita as imagens que me vinham, escrevendo mais do que entendendo.

 

O Mirante se deixa levar pela música. A música é o corrimão da mente.

 

V- OROBOROS: A COBRA QUE COME O PRÓPRIO RABO

 

Com rosto sujo de quem viveu uma batalha intensa consigo, sorri, respira fundo. Pela primeira vez volta a olhar para a roda, onde estavam as outras pessoas. Ele se levanta e se limpa um pouco.

Ah, não é que eu seja sem rumo sem norte, sou o que sou, sou filho da morte.

Não é que eu seja sem rumo sem norte, vivo a vida, sou filho da sorte.

 

Ele se lança contra o vento. O vento ganha corpo e ele se deleita. O vento tinha a consistência.

 

Ô forças maiores, juro que sou grato. Agradeço mais uma noite de revelações, e quando for o momento voltarei. Quero estar com os meus. Tocar, acariciar, o carinho do outro é maior que todo esse pensamento.

 

Onde termina o pensamento, começa o mar do amor. Talvez não possamos contar tudo… Seria demais… Muita coisa é incontável. Fiquemos somente com as experiências que amamos. Amar é dos mistérios mais transcendentais.

 

Eu aceito a condição de não-saber, de continuar em meu filho a ignorância sobre a vida e aceito a morte como um caminho que não tem fim. Ao pão nosso de cada dia, às pequenas descobertas, aceitar as repetições. Escutar música, ver um por do sol e esperar que ele se repita no próximo ano.

 

Ele olha para suas mãos. Ergue a cabeça e olha para a roda.

 

E minha caneta? Não escrevi nada.

 

Diante de tudo, me restava uma experiência impressa em mim, mas num novo lugar.

Ali tive a certeza, me restava a escrita para dar continuidade ao que se escreverá. Escrever é dar forma, acompanhar o fluxo do vivo, numa busca incessante por toda a vida.

Ele deixa o campo e vai de encontro aos outros. Sai de cena e a caneta continua na cerca. Encontra com uma participante da roda e que diz:

– Você não vai acreditar no que aconteceu comigo, cara nós temos conexão com o todo… E você? Você também teve uma Miração?

FIM

MIRA! e veja: a arte contemporânea dos povos indígenas e a cura do tempo

Por Mara Vanessa Fonseca Dutra

(Mestre em Cultura e Sociedade pelo Programa Multidisciplinar Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia. É doutoranda do Pós-Cultura da UFBA. Participa do projeto Yuraiá, o rio do nosso corpo, espetáculo teatral de João das Neves, e da criação de cinemateca nas aldeias Tupiniquim do Espírito Santo.)

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A exposição MIRA! Artes visuais contemporâneas dos povos indígenas, realizada em Belo Horizonte, no Centro Cultural da UFMG, de 14 de junho a 11 de agosto de 2013, reuniu mais de 100 obras de 53 artistas de 27 etnias do Brasil, da Bolivia, da Colômbia, do Equador e do Peru. Na semana de abertura, de 14 a 22 de junho, a UFMG promoveu um seminário com a presença de grande parte dos artistas indígenas convidados.
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O título da mostra buscava, por si mesmo, instaurar um debate, ao falar de artes contemporâneas dos povos indígenas e não de artes indígenas contemporâneas. Em seu enunciado, buscava contribuir para romper as etiquetas que limitam essas expressões artísticas aos terrenos étnicos, ou das marcas identitárias. As mais de cem obras reunidas na MIRA! não eram objetos ou signos tradicionais, mas pinturas, esculturas e instalações surpreendentes e fora de qualquer clichê, imagens cheias de fluidez. Essa nova pintura indígena é a criação de indivíduos que percebem o mundo e o expressam a partir da tensão entre conhecimentos ancestrais e criatividade pessoal (BELAUNDE, 2013), da perturbação do artista indígena inserido na experiência da modernidade, da vida urbana, vivendo concomitantemente tempos diferentes. Segundo Belaunde (2013), os novos pintores indígenas “se reafirmam como criadores artistas individuais, ao mesmo tempo que são a voz da memória coletiva”, numa interrelação entre “o que é muito antigo e profundo e um outro tipo de criação, que é sempre misterioso – essa criação artística individual” (MINDLIN, 2007). Alguns desses jovens artistas conseguiram romper com a etiqueta de “artistas indígenas” e já ocupam lugar no mercado de arte internacional ou em seus países – como o caso de Rember Yauarcani, Brus Rubio e Kindi Llajtu, o que ainda não ocorre no Brasil. Uma das intenções da exposição foi também contribuir para chamar a atenção do mercado brasileiro para esse tipo de arte.
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O convite da exposição MIRA! foi o de mostrar “paisagens existentes no real do pensamento, da memória, do sonho” (ALMEIDA, 2013), um convite para que os expectadores pudessem entrar na “miração”, na experiência indígena do mundo. Havia uma clara intenção de provocar o olhar dos visitantes para as manifestações de uma estética chamada de “visionária” pela curadoria da exposição, como um convite à percepção de outros mundos ou de outras formas de ver o mundo a partir da criação dos artistas indígenas, a maioria jovens. A nova pintura indígena é um exercício de tradução, tanto para os artistas que a produzem quanto para quem se permite aceitar o convite e entrar nesse “jardim selvagem”- o jardim que permite a diferença, sem hegemonias, “o jardim que o pensamento permite”, nas palavras da escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol (LLANSOL apud ALMEIDA, 2007).

A divisão da realidade entre o inteligível e o sensível, que está na base do pensamento ocidental, hierarquiza as manifestações culturais e artísticas e o conhecimento produzido por diferentes povos. Os novos pintores indígenas, com sua estética visionária, traduzem conhecimentos xamânicos e visões de mundo que não se apoiam nessa dicotomia entre o inteligível e o sensível. A nova pintura indígena traz outras formas de ver o mundo, perspectivas distintas, mostrando o que normalmente não se vê. São, nas palavras de Luisa Elvira Belaunde (2013), “pintores de cosmologias, pintores do invisível”, revelando a direta relação entre a arte e a cura, entre o artista e o xamã. A questão central é sempre a cura – em último caso, a cura pela inscrição das imagens indígenas no mundo. O artista (como o escritor) seria o médico de si mesmo e do mundo (DELEUZE, 1996).

A relação entre arte e cura foi um dos temas do seminário e uma das maiores salas da exposição estava dedicada ao que se chamou de “arte visonária”, na qual as pinturas traduziam experiências xamânicas de cura, mostrando como estética e terapia andam juntas, do ponto de vista indígena. São pinturas em que o traço, o figurativo, as cores e o brilho, pelo uso de tintas fluorescentes, criam um ambiente que seduz o olhar do visitante, pelo profundo estranhamento que causam. Essas pinturas xamânicas, que sobretudo no Peru criaram escola e ganharam espaço no mercado de arte, são um componente novo na relação de poder entre indígenas e não indígenas, subvertendo a ordem hegemônica que exclui os índios (BELAUNDE, 2013), porque, embora estes continuem sendo os mais pobres e discriminados, ao trazerem para as telas as experiências xamânicas de cura, tornam-se – os pintores indígenas – apesar de subalternos, sujeitos de poder. São eles que, aos olhos do público não indígena urbano, possuem o conhecimento, “a experiência pessoal de outros mundos” (BELAUNDE, 2013), já que sua pintura expressa vivências reais.
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Os assim chamados pintores visonários explicam que seus quadros têm um forte componente vivencial, de experiências pessoais nos momentos de práticas de cura, especialmente com o uso da ayhauasca – eles pintam o que vêm e vivenciam nesses momentos. Joaquim Maná (2007), pesquisador indígena Huni Kuin, explica que, para o pensamento indígena, cada conhecimento tem que ser dominado por uma pessoa que, para dominá-lo, tem que conhecê-lo – vivencialmente. Esse “caráter testemunhal das pinturas intensifica sua força de transgressão”, segundo Belaunde (2013), ao afirmar que os seres e as cenas que estão representados são reais. De alguma forma, afirmando ou levantando dúvidas sobre a existência de outras formas de cura, em mundos totalmente alheios às tecnologias da medicina e da farmacêutica ocidentais, transgride. Por isso, segundo a autora, é uma pintura subversiva, “uma arte dos subalternos” (SPIVAK apud BELAUNDE, 2013), uma vez que, ao mesmo tempo que entra, de certa forma, nos padrões figurativos ocidentais, escapa do mundo controlado pelo capital e pela tecnologia, ao tratar de outras ordens de vida e morte (BELAUNDE, 2013). Ao tornarem-se objeto de apreciação no mercado internacional de arte, essas pinturas contribuem para mostrar partes da perspectiva indígena do mundo, invertendo a hieraquização negativa a que esses conhecimentos estão submetidos. A chegada dos artistas indígenas aos salões e ao mercado de arte contemporânea com esse tipo de pintura contribui para o esforço de interculturalidade levada à sério (MIGNOLO, 2007), na medida em que os conhecimentos indígenas possam ser vistos não como alternativos, ou como menos conhecimento, mas simples e plenamente como conhecimentos, nas palavras do intelectual indígena Gersem Baniwa (BANIWA, 2007).
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Kanatyo Pataxó, artista e educador indígena, explica que “o índio aprende pelo olhar. Ele faz a leitura pelo olhar, pelo corpo, pelo espírito. Fazemos as traduções através disso.” E que, portanto, “é muito importante a ponte entre o espírito e a linguagem”. Essa ponte, essa tradução, é o que buscam os pintores indígenas, nas palavras de Benjamin Jacanamiyoy (2013): “es un ejercicio de contar la própia historia, que no podíamos contar – traducirla para los demás, ahora. Considero el arte como un parto – se tiene que criar una nueva vida, que se tiene que existencializar – por medio de las figuras, de nuestras imaginaciones”. Mostrar o que é invisível, o mundo espiritual indígena, é também uma forma de dar visibilidade dos povos indígenas como cidadãos, como pessoas de vanguarda. Rember Yahuarcani, jovem e premiado pintor peruano, conta como aprendeu com seu pai, Santiago, a dar corpo aos espíritos e personagens míticos, provocando-se um ao outro em um exercício de criatividade conceitual e plástica (BELAUNDE, 2013). Estavam os dois presentes na exposição MIRA!, pai e filho – uma relação entre as gerações em que parece que não existe a necessidade de “matar o pai” para afirmar-se como indivíduo, como artista, mas, ao contrário, em que a ideia da continuidade e da troca entre as gerações é valorizada e desejada.
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O trabalho de Marisol Calambás, jovem artista colombiana, é muito esclarecedor, nesse sentido. Marisol é do povo Nasa, mas cresceu afastada de sua comunidade – “com ignorância em relação à minha comunidade indígena”, em suas palavras (CALAMBÁS, 2013). Viveu uma situação marcante quando, adolescente, foi morar com a avó e descobriu que não podiam comunicar-se com palavras, porque a avó só falava a língua indígena e ela só falava o espanhol. Essa vivência foi fundamental para que, ao estudar arte, Marisol começasse a se transformar “fazendo memória, recordando”. Buscou reconstruir os laços com a mãe e coma avó a partir das cicatrizes e marcas no corpo e a relacionar essas marcas com a simbologia artística de seu povo, especialmente o chumbe, que é uma faixa usada na cintura sobre o útero, e de sua própria pesquisa sobre a língua materna. A proposta de Marisol é de transformação e os elementos são o corpo, a memória, o traço, o umbigo, a língua. Em seu trabalho, intitulado “Nasa Yuwe” (Nossa Língua), a artista usa o corpo como suporte – como nas pinturas corporais indígenas, em que o traço faz a pele, cria o corpo (Els Lagrou, 2013) – e traça o caminho da memória: uma espiral que sai do umbigo, o leite, a língua, o fio que a une à mãe, à avó, à ancestralidade.
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Para ela, a questão de como se relaciona o pensamento ancestral com a arte contemporânea é a transformação que permite criar memória e ensinar a ver essa memória, “para que o objeto, quando seja lido, não deixe dúvidas de onde veio, quem o fez”, mas que as imagens indígenas não fiquem estancadas, presas como nos suportes tradicionais – pintura corporal, tecidos, cerâmicas – e vistas como objetos decorativos. Sua proposta é criar imagens nas memórias de todos, indígenas e não indígenas, para que o pensamento indígena vivo faça parte do imaginário comum.

Marisol faz uma reflexão de que toda produção artística está “permeada de ocidentalidade”, desde os materiais, os pigmentos, tudo. “Talvez eles (os não indígenas) não estejam (permeados) de nós, mas nós deles” CALAMBÁS, 2013). Entende que as estéticas indígenas tenham que se manter e ao mesmo tempo se transformar, guadando as diferenças irredutíveis, a singularidade que permite a criação de mais e mais diferença. Dá um exemplo: “a palavra “abstrato” não é o mesmo para o pensamento europeu e para o pensamento indígena. Para o indígena, uma espiral não é a representação do sol, é o sol. O sol está presente na espiral. E não é a mesma espiral, se a desenhamos num pedaço de terra, ou com sangue” (CALAMBÁS, 2013).

Kindi Llajtu, colombiano, do povo Inga, que alcançou renome internacional com sua pintura em que se mesclam o figurativo e o abstrato, à base de traços muito finos, aéreos, de extrema leveza, já quase não pinta mais: prefere fazer instalações que não permanecem. Explica que trabalha com o efêmero e que a relação da arte com o tempo é também uma relação de cura – o que se cura é o próprio tempo. “Estamos em 2013, mas para muitos, estamos vivendo em outro tempo. O tempo são as experiências, que me dão como presente sensações, lembranças, vivências” (LLAJTU, 2013). Ele conta que foi pintar uma pedra sagrada e que, ao começar a limpá-la, percebeu que na verdade estava limpando ideias que tinha guardadas no coração. “Pintei a pedra de cor verde e começaram a sair muitas formas; o jogo foi um tempo de refrescar a minha memória. Quis brincar com outros símbolos, esses urbanos: o leite vem da geladeira, ou do supermercado, este é o tempo urbano ocidental. Quero fazer ressurgir outros tempos: o tempo das nossas histórias, do conhecimento que vem do coração (samay), compreender as visões, semear os sentimentos, aprender a sentir, a ver com o tempo do coração, do espírito da nossa cosmogonia”(LLAJTU, 2013).
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Esse tempo do coração é também o lugar aonde as obras de arte desses pintores indígenas querem chegar, considerado como centro de cada ser. O objetivo é sempre a cura pelo conhecimento, pela ancestralidade. Benjamin Jacamiyoy conta que aprendeu com seu pai que o conhecimento primeiro chega ao ventre, considerado um espaço espiritual onde se guardam os segredos mais íntimos do ser humano. Depois, passa ao coração, em seguida ao cérebro efinalmente sai ela boca como palavra de poder e conhecimento. Ficar samay significa ficar com o alento do outro no coração, seja esse outro um ser humano, animal, vegetal ou mineral, mas é compreendê-lo como possuidor de força e de vida. Ao contribuir para que as pessoas fiquem samay, a nova pintura indígena continua transformando no aqui-agora a arte ancestral de “pensar bonito caminhando com o coração contente” (JACANAMIYOY, 2013).
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Mais que surpreender o espectador, a arte contemporânea dos povos indígenas busca chegar ao coração das pessoas, criando espaços de pensamento selvagem em que o que importa é a liberdade de trânsito, o caminho, não a chegada. É estar em passagem, no aqui-agora, em situação de potência, numa floresta em que cabem todas as diferenças, irredutíveis e por isso mesmo criando novas diferenças e possibilitando uma nova comunidade de signos – o exercício poético – na qual podemos nos ler uns aos outros. Esse “jardim do pensamento selvagem” (ALMEIDA, 2007) não é um espaço indígena, nem um espaço ocidental, mas um lugar de encontro pela graça da arte. É um espaço de nosso devir indígena que torna possível a troca, o entendimento, a cura profunda. Como disse Davi Kopenawa Yanomami, no evento Diálogos Interculturais, ocorrido em Minas, em 2007: “Eu sou índio e vocês também são índios. Você pode dizer: Eu sou branco, mas você também é índio. (…) Por isso tentamos acordar seu pensamento” (KOPENAWA, 2007).
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REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Maria Inês de. Estética visionária. In: MIRA! Centro Cultural da UFMG. Belo Horizonte: UFMG, 20132013
ALMEIDA, Maria Inês de. A física do futuro virá pelos atabaques da África. In: Diálogos. Belo Horizonte: Viva Voz/FALE/UFMG, 2007.
BANIWA, Gersem. Tolerância moderada e os desafios da interculturalidade. In: Diálogos: Educação intercultural. Belo Horizonte: Viva Voz/FALE/UFMG, 2007, 2007.
BELAUNDE, Luisa Elvira. A pintura visionária xamânica da amazônia peruana. In: MIRA! Centro Cultural da UFMG. Belo Horizonte: UFMG, 2013.
CALAMBÁS, Marisol. Artes visuais contemporâneas dos povos indígenas. Palestra proferida no Seminário MIRA! Centro Cultural da UFMG. Belo Horizonte, 2013.
DELEUZE, Giles. Crítica y clínica. Trad. Thomas Kauff. Barcelona: Editorial Anagrama, 1996.
JACANAMIYOY, Benjamin. Arte como transformação. Palestra proferida no Seminário MIRA! Centro Cultural da UFMG. Belo Horizonte, 2013.
LAGROU, Els. Artes visuais contemporâneas dos povos indígenas. Palestra proferida no Seminário MIRA! Centro Cultural da UFMG. Belo Horizonte, 2013.
LLAJTU, Kindi. Experiência criativa nas comunidades indígenas. Palestra proferida no Seminário MIRA! Centro Cultural da UFMG. Belo Horizonte, 2013.
MANÁ, Joaquim. XXXXXXX. In: Diálogos. Belo Horizonte: Viva Voz/FALE/UFMG, 2007.
MIGNOLO, Walter. La idea de América Latina: la herida colonial y la opción decolonial. Barcelona: Gedisa editorial, 2007.
MINDLIN, Betty. Oralidade e escrita. In: Diálogos: oralidade e escrita. Belo Horizonte: Viva Voz/FALE/UFMG, 2007.
PATAXÓ, Kanatyo. Escola da terra. In: Diálogos: tradições e traduções. Belo Horizonte: Viva Voz/FALE/UFMG, 2007.
YANOMAMI, Davi Kopenawa. Conhecimento e reconhecimento indígena. In: Diálogos: tradições e traduções. Belo Horizonte: Viva Voz/FALE/UFMG, 2007.